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Mostrando postagens de janeiro, 2023

Complicada demais

 Quer saber quem sou eu? Complicada demais. Sou aquela que gosta de fazer todos se sentirem bem. Acordo de bom humor, como uma bela flor, que deixa tudo mais bonito, esbanjando sorrisos. Mas também sou aquela que acorda do avesso, que não suporta a luz nos olhos e mergulha no silêncio sórdido. Fico insegura, imatura, estúpida, com a alma nua, enquanto o dia e a noite se misturam. E tudo que eu preciso é de ajuda — mas não deixo que ninguém me segure. É isso que me torna complicada demais.

As vezes eu perco o chão

Às vezes eu perco o chão e sinto meu corpo afundar como uma âncora jogada ao mar. Às vezes eu perco o chão e desabo em queda livre do vigésimo quinto andar. Às vezes eu perco o chão e me afogo, sem conseguir respirar. Às vezes eu perco o chão, e fico sem coração, sem forças pra caminhar. Às vezes eu perco o chão — porque não sou de ferro, não. Às vezes pareço vidro... e posso quebrar. Às vezes eu perco o chão, mesmo tendo suportado tanto, mesmo com espinhos no caminho, seguindo sem fraquejar. Às vezes eu perco o chão, porque minha vida não é fácil não. Com esse corpo pequeno, tive que aprender a lutar. Às vezes eu perco o chão, por carregar bagagens que nem são minhas, porque só quero ajudar. Às vezes eu perco o chão... e tudo que eu peço é que apareça uma mão, sem minha permissão, só pra me segurar.

Se salve primeiro

 Você precisa de você Uma hora, seus pés descalços precisam encostar o chão, sentir a terra entre os dedos, caminhar, trilhar e deixar seus rastros por onde passar. Você precisa se livrar das correntes que te prendem e seguir livre do que te aprisiona. Precisa aprender a cuidar de si, e saber que, no fim, é você por você mesmo. Precisa tirar as armaduras — não é de ferro, então esteja preparado. Precisa ser feliz, mesmo que isso custe abrir mão de muitas coisas que te mantêm na zona de conforto. Precisa viver e compreender que cada segundo importa, que o tempo não corre — ele capota. E você nunca sabe o que esperar do tempo. Você precisa de você urgentemente. Se salve, se ame, se cuide.

8 de março

 Mulheres! Já nascemos com brincos nas orelhas e roupas cor-de-rosa. Ganhamos bonecas e panelinhas para, desde cedo, aprender a cuidar da casa e dos filhos. Crescemos sendo julgadas pelo tamanho do short. Na escola, se somos assediadas, dizem que é porque a roupa estava provocante — então, a culpa é nossa. Na vida adulta, se o filho é malcriado, ouve-se logo: "Sua mãe não te deu educação?" Se a casa está suja, dizem: "Fulano tem uma esposa porca." Agora, determinam que mulher também deve trabalhar fora, porque, se só cuida do lar e dos filhos, é preguiçosa ou interesseira. Mulher deve estar sempre com o cabelo impecável, maquiagem perfeita — mas não demais, senão é "puta". A roupa? Sem alça, sem decote, nada acima do joelho. Se for assediada no trabalho, a culpa é sua: foi "gentil demais". Se for a uma festa e beber um pouco, pode ter certeza: se for estuprada, a culpa é sua. Se sair com roupas justas ou curtas, com certeza está “pedindo” para se...

Recarregar

 Uma hora, suas pernas enfraquecem, os pés calejam, o corpo dói, e você se sente completamente exausto. A vida pesa. A tristeza e o desespero te alcançam e você já não tem forças pra fugir. Nem tudo são sorrisos. Nem sempre o mundo é florido. Há lágrimas — e muitos espinhos. Mas, mesmo assim, você precisa respirar fundo, recarregar suas forças e continuar tentando. Porque, se não lutar, vai se afogar... e talvez nunca mai s consiga respirar.

Emoção da gravidez

 No primeiro mês, você nem deu sinal. No segundo, atrasou minha regra menstrual. No terceiro, eu já sabia que você existia. No quarto, comecei a me preocupar com sua vinda. No quinto, sentia que não estava mais sozinha. No sexto, minha barriga já não passava despercebida. No sétimo, sentia cada mexidinha sua. No oitavo, o cansaço pesava — gerar uma vida é árduo. No nono, eu só queria o parto, pra aliviar o estresse, o peso, o medo. E então… o nascimento. Senti o renascimento. Fomos separados, mas entrelaçados por um amor incondicional. Vencemos! Cada mês, cada enjoo, cada explosão emocional que desarmei com carinho. Valeu a pena. Cada detalhe. Por ter você,  enfim, em meus braços.

É normal sentir dor

 Às vezes, a dor transborda, como leite fervendo na panela. Você se distrai por um instante, e ela vem — de supetão. Derrama, escorre, faz estrago. E você não consegue conter. É difícil superar certos traumas, difícil aceitar a realidade. Você se vê numa prisão, enjaulada pela dor, pelo trauma, e pelo que é real demais para ser negado. ... Às vezes, está tudo bem... não estar bem.

Mulher forte

 Aquela que sonha alto Que aprendeu que não ter asas é apenas um detalhe Aquela que sabe o que que Que aprendeu que o lugar dela é aonde ela quiser Aquela que não cabe na sua caixa, que não usa seu rótulo Mulher Dirige de salto alto, trabalha, faz faculdade e é mãe Não sou um personagem cujo os papéis já estão determinado pela sociedade, sou apenas uma mulher com uma grande personalidade.

Nem sempre um pé cansado precisa de um sapato

Andei descalço Andei descalço, pois nenhum sapato me servia. Andei com a planta dos pés no asfalto ensolarado. Andei descalço, com os pés sujos de barro. Deixei minhas pegadas na areia da praia. Andei com os pés cansados, calejados. Andei descalço, porque é difícil encontrar um sapato que caiba nesse cansaço. Esperei por um par velho, algo que me aliviasse a dor. Experimentei alguns... Mas todos eram pesados demais, apertados demais. Não dava pra caminhar. Então encontrei um chinelo velho que serviu no meu pé rachado, e segui com ele. Caminhei muito. Mas um dia tropecei, e ele arrebentou. Tentei remendar. Quanto mais arrumava, mais ele se desfazia. Começou a furar, a me machucar. Então... Andei descalço. E descobri — não tem nada de errado em seguir o caminho assim.

Ela é fases

Ela é de fases. Às vezes doce, às vezes amarga. Ela é de fases. Às vezes menina, às vezes mulher. Ela é de fases. Às vezes pessimista, às vezes cheia de fé. Ela é de fases. Às vezes nem se reconhece, às vezes tem certeza da sua essência. É bagunçada, desastrada, organizada. Nem de lua, nem de estações — ela é ela, nas fases que são só dela.

Tente novamente

 Eu tento todos os dias. A cada amanhecer, é um recomeço. Força... força... força... Você consegue. Levanta da cama. Depois de pé, vem: "Estou tão cansada... Por que é tão árduo? Hoje, eu não vou conseguir vencer." Mas eu tomo meu café e vou tentando juntar todos os caquinhos, colocar a máscara do “está tudo bem”. Todos os dias é um misto de choro, irritabilidade, frustração, medo, ansiedade. Mas eu luto contra tudo isso. E recomeço no outro dia. Queria, só por um dia, acordar sem precisar usar nenhuma máscara. Porque, de verdade, eu estaria bem.

Quando a princesa luta

 No começo, eu estava com medo. Medo do diferente, medo de outra rotina... Tive tanto medo que fiquei aprisionada — numa mentira, numa infelicidade. A cada dia, minha dignidade era fragilizada, e meus ouvidos, agredidos. E o medo... me paralisava. Mas um dia, fui pisoteada. E pensei: “Já estou infeliz. Pior que isso, não pode ficar.” Peguei os cacos que sobraram de mim — e recomecei. Não foi fácil. Doeu no início. Mas passou. Lembrei o quanto sou forte, o quanto já lutei, o quanto já superei. Às vezes, a princesa tira o salto, e veste uma armadura. Porque, na guerra, às vezes… é preciso lutar contra o próprio príncipe encantado.

Ansiedade

 Às vezes, a ansiedade te abraça tão forte que sufoca. Você só quer que acabe, quer se desvencilhar, se libertar. Mas quanto mais ela te segura, mais você se afunda. No começo, ainda tenta lutar, mas as forças vão embora, e só resta esse aperto — todos os dias. É uma agonia que rouba o sono, acelera a mente, desalinham os pensamentos, e o medo... o medo domina, estremece o corpo. E o pior? Você não escolhe esse sentimento, ele simplesmente chega, e toma conta de tudo. É como as fases da lua: nova, crescente, minguante, cheia... mas nenhuma delas ilumina o suficiente pra dissipar essa escuridão. Frases clichês não ajudam. Pessoas ignorantes só afundam mais. Não adianta dizer “vai ficar tudo bem”, ou que “é só tentar com força”. Se quiser ajudar de verdade, só fique. Ao lado. Silenciosamente, presente.

Perdida

 Estou me perdendo aos poucos. Perdendo quem eu sou, perdendo meus sentidos. Me perco no vazio, no silêncio, na agonia. Mas todos acham que estou onde deveria estar, que não me falta nada, que está tudo bem. Mas não está. Eu continuo me perdendo. Às vezes me encontro em trechos, em palavras, em uma frase formada. Parece que já me aconteceu tudo que tinha que acontecer. Que trágico. E o medo me rodeia, me cerca, me domina. Não quero que mais nada aconteça. Já disse, várias e várias vezes: cansei, desisto. Mas ainda estou aqui. Perdida. Amedrontada. Viva por fora, morta por dentro. A cabeça atribulada, sem pausas, girando em pensamentos desconectados, em fragmentos de recordações do passado. E cada lembrança me mata  mais uma vez. E sigo assim... perdida.