As vezes eu perco o chão
Às vezes eu perco o chão
e sinto meu corpo afundar
como uma âncora jogada ao mar.
Às vezes eu perco o chão
e desabo em queda livre
do vigésimo quinto andar.
Às vezes eu perco o chão
e me afogo,
sem conseguir respirar.
Às vezes eu perco o chão,
e fico sem coração,
sem forças pra caminhar.
Às vezes eu perco o chão —
porque não sou de ferro, não.
Às vezes pareço vidro...
e posso quebrar.
Às vezes eu perco o chão,
mesmo tendo suportado tanto,
mesmo com espinhos no caminho,
seguindo sem fraquejar.
Às vezes eu perco o chão,
porque minha vida não é fácil não.
Com esse corpo pequeno,
tive que aprender a lutar.
Às vezes eu perco o chão,
por carregar bagagens que nem são minhas,
porque só quero ajudar.
Às vezes eu perco o chão...
e tudo que eu peço
é que apareça uma mão,
sem minha permissão,
só pra me segurar.
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