A procura de qual beleza?
Na vida, sempre há um momento em que brilhamos mais — os chamados “melhores momentos”.
A cada postagem, a cada foto: o peso ideal, o cabelo ideal, o padrão ideal.
A sua melhor versão.
Mas esses momentos passam.
A idade chega.
O metabolismo engata a primeira marcha e vai devagarinho.
As linhas no rosto começam a marcar a sua história.
E é aí — bem nesse ponto — que você já não quer mais brilhar.
Evita fotos.
Tem medo da balança.
Medo do espelho.
Medo de provar aquela roupa antiga que tanto amava.
Muitas passam por isso.
E a culpa… não é só delas por não sustentarem o amor próprio.
A culpa é dos dedos.
Dos comentários.
Das perguntas desagradáveis.
Daquele que diz:
“Se engordou é porque é relaxada, não se cuida, não tem disciplina.”
Incrível, não?
Num mundo com tanta desigualdade social,
onde uma mulher acorda às quatro da manhã,
pega o ônibus das cinco,
pula de terminal em terminal,
leva duas horas para chegar ao trabalho,
passa o dia inteiro em pé,
e à noite faz o caminho de volta…
Quando chega em casa, tem filhos para cuidar,
comida para fazer, louça para lavar.
O tempo não é o mesmo para todos.
Essa é a realidade.
E palavras mal ditas,
essas sim —
destroem belezas,
apagando reflexos
que ainda tentavam brilhar.
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