Se Aquela Montanha Fosse Minha Moradia

Se eu fizesse de conta que aquela montanha, onde a neblina cobre seu topo, fosse minha moradia...


Eu sentiria as nuvens nos meus pés todos os dias.

E aqueles raios de sol, que fazem vários furinhos na neblina...

Por esses buraquinhos eu iria conseguir enxergar o céu.

Meus olhos poderiam alcançar os pássaros mais de perto.


E lá de cima, eu seria amiga do vento.

Ele iria me abraçar bem forte todos os dias,

faria meus cabelos dançarem junto com as folhas das árvores.


Durante a noite, as estrelas seriam um show de luz,

e a lua, a atração principal —

os vaga-lumes para acompanhar.


O silêncio não seria ensurdecedor,

porque a natureza também gosta de cantar durante a noite.

As cigarras seriam tenor, e os grilos, soprano,

e eu, a única plateia.


Se aquela montanha fosse minha moradia,

com certeza a vista da minha janela seria a mais linda do mundo inteiro.


E não seria incomodada todas as manhãs

com os motores dos carros, os sons das buzinas.


Se eu morasse naquela montanha,

eu iria respirar melhor.

Não teria tanta fumaça,

ficaria longe da poluição.


Se eu pudesse, pelo menos, passar um dia naquela montanha,

talvez eu organizasse a minha bagunça,

me encontrasse novamente,

e acalmasse esse turbilhão de sensações.


Subindo naquela montanha,

talvez eu encontre a minha paz

no silêncio que acalma o meu coração.


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