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Mostrando postagens de outubro, 2023

despedida

Você bateu as asas e voou. Voou para bem longe. Voou além do horizonte. Voou… além do rio azul. Subiu tão alto, que não dá para te alcançar. Subiu tão alto, que não dá para te fazer voltar. Seu sorriso desapareceu diante de tantos olhos. Se foi… para depois do rio azul. Ficaram tantas lágrimas, que daria para se afogar nelas. Mesmo com tanta saudade, mesmo sem entender por que você voou para tão longe, eu espero — que além do rio azul, bem depois do horizonte, não haja dor. Nem choro. Nunca mais.

Caminhe com as próprias pernas

Por que sempre se trata de quem segura a mão — e de quem solta? Por que esse é sempre o questionamento? Será que o mais sensato não seria perguntar: “Por que você precisa que alguém segure sua mão?” Você tem cinco anos de idade? Por que o questionamento nunca está em si mesmo? Por que espera que alguém te dê a mão? Foi isso que te ensinaram até aqui? Na infância, sim, temos o auxílio dos adultos. Eles seguram nossa mão porque não sabemos o caminho, não sabemos a hora de atravessar a rua, não conhecemos nossos limites. Mas crescemos. E já na adolescência começamos a perceber isso. Hoje, me deparo com tantas lamentações: “Por que não segurou minha mão até o fim?” E eu reflito: “Você ainda não aprendeu a caminhar sem que alguém segure sua mão?” A sociedade virou coodependente. Todo mundo quer alguém. Todo mundo espera por uma mão. Mas… já parou pra pensar que pra escalar montanhas, você precisa das duas mãos? Ninguém escala montanhas de mãos dadas. Então, se quer sair de onde está, se que...

cobaias

O que houve com aquele roteiro que era pronunciado copiosamente, dia após dia? Promessas... O que houve com a honra? Com a dignidade? Com tudo aquilo que tu ditavas? “Homem que é homem tem palavra.” “Homem cumpre suas promessas.” Tudo se tratava de ser homem. De confiar cegamente nesse ideal. De acreditar que a palavra bastava. Mas era tudo falácia. E eu — e os meus — fomos apenas suas cobaias.

sumir

Queria ir… Mas sem dizer tchau. Ir sem explicações, sem motivos. Queria ir… Mas sem deixar saudades. Ir sem me desculpar, sem precisar voltar. Queria ir… Mas sem ninguém notar. Passar por todos — desapercebida. Talvez… como os meus sentimentos: que ninguém entende, ninguém percebe, todos ignoram, anulam… até que se apaguem.

meus pedaços

Você me tirou por completo. Me tirou de mim mesma, detalhe por detalhe. Tirou meu sorriso leve — aquele que repousava no cantinho dos meus lábios. Foi tirando, aos poucos: meus sentimentos, minha coragem, minha tranquilidade, meus planos, minha paciência, meus limites, minha saúde, minha independência, minha identidade. Me deixou frívola por dentro, com uma lacuna imensa. E tudo isso aconteceu diante dos meus próprios olhos. Na minha frente. Mas só agora percebo o que restou: um vazio recalcitrante. Parada, diante do espelho, vejo com clareza o que sobrou de mim: um rosto borrado, inundado de lágrimas, e olhos vazios, sem nenhum brilho notável.